Blog que pretende pôr o dedo na ferida, espicaçar consciências, sem insultos, nem acusações não fundamentadas. Blog de uma “formiga” que pretende mesmo ter “catarro”.
19 de Novembro de 2009

 

É em silêncio que tenho estado. E é de silêncio que hoje me apetece falar. Os minutos de silêncio, muito usuais para homenagear alguém que infelizmente “parte”, não são em Portugal verdadeiros minutos de silêncio. Não sei porquê, mas de há uns tempos a esta parte, o silêncio tem sido invadido por aplausos. Não que os aplausos sejam uma forma menor de homenagem a alguém. Antes pelo contrário. A questão é que, um minuto de silêncio é um minuto de silêncio absoluto. E isso é um momento absolutamente arrepiante. Findo esse minuto, abre-se o espaço para o aplauso. Não é essa a prática corrente em Portugal e a interpretação de minuto de silêncio, é no meu entender, completamente errada.
 
Ontem em jogo de futebol realizado no Ernst Happel em Viena, a arrasadora selecção de Espanha, campeã europeia em título, conseguido nesse mesmo estádio, jogou com a Áustria. O resultado não interessa. O que interessa é o minuto de silêncio. O público seria maioritariamente austríaco. Mas isso, pouco interessa, ou se calhar não. E, no início do jogo, fez-se um minuto de silêncio em honra do talentoso guarda-redes, que jogou em Portugal, Robert Enke, que decidiu pôr fim à carreira e à vida, na semana passada. Não é esse o assunto que me interessa. O que eu aconselhava, era que quem pudesse assistir ao minuto de silêncio em sua honra, nesse jogo, o faça. Vale a pena sentir um arrepio na espinha, com todo um fantástico estádio cheio de fervorosos adeptos, em silêncio absoluto. Este sim, é um verdadeiro minuto de silêncio.
 
Como não encontrei um vídeo desse momento, deixo aqui outro também ele de absoluto silêncio:http://www.youtube.com/watch?v=H0An-BL9qUc.
 
Um minuto de silêncio e reflexão merece também o tema sempre actual da corrupção. Li, há pouco tempo, que mais de 60% dos casos de investigação por corrupção não chegam sequer a tribunal e dos que chegam, a percentagem de condenados é mínima. E porquê? Porque o nosso sistema judicial dificulta muito a prova de culpa nestes casos. E nestes casos, em que ou não há julgamento, ou não são condenados, não significa que os arguidos estejam inocentes. Quase sempre não se consegue é provar a culpa em tribunal. E é também por isso, que muitos dos envolvidos nestes casos, sendo figuras públicas, são submetidos ao julgamento público através dos meios de comunicação social.
 
Um minuto de silêncio e reflexão, sem direito a palmas no final, merece também o facto de termos um primeiro-ministro, que em democracia, é o primeiro-ministro português mais envolvido directa ou indirectamente em polémicas. Nunca foi vista uma situação como esta. Muitos dirão: “Ah, é inveja!”. Mas, será? Todos os primeiros-ministros são odiados por uns e invejados por quase todos e nunca houve situação idêntica. Outros dirão:”São os amigos, não é ele”. E não é nossa responsabilidade escolher os nossos amigos? Haverá ainda quem diz: “Coitado, é perseguido.” Será? Então, quando aparentemente, “cai na sopa” de uma investigação também está a ser perseguido? Não acuso ninguém, nem a ele, nem a amigos dele. Para mim todos são inocentes até julgamento em tribunal. Mas, que merece um minuto de reflexão, merece.
 

Um minuto de silêncio com muitas palmas no final merece o regresso aos palcos do imponente Teatro Nacional D. Maria II de Eunice Muñoz, na peça O Ano do Pensamento Mágico. Desejo-lhe, se é que precisa, a maior sorte. Ou como se diz no teatro, “muita merda”.

 

Um minuto de silêncio e reflexão merece a frase que me chegou, como sendo a vencedora num congresso sobre vida sustentável: "Todos pensam em deixar um planeta melhor para os nossos filhos... Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?". Vale a pena perder um minuto a pensar nisto.

29 de Outubro de 2009

 

Portugal juntou-se à Espanha, mas calma, ainda não é uma união de facto. Os portugueses ainda não a autorizaram. Apesar de sondagens que têm sido feitas revelarem que, tanto a maioria dos portugueses, como a maioria dos espanhóis, concordam com tal união de facto. Claro que as sondagens podem ser manipuladas, mas isso é outro tema e tem pano para mangas. Não era a essa união que me estava a referir. Portugal uniu-se à Espanha para organizar um Mundial de Futebol, ou o de 2018, ou o de 2022. Como amante do futebol agrada-me muito a ideia e mais me agrada recordando-me de toda a vida e cor que o Euro 2004 trouxe a Portugal, que vivi muito de perto, pois assisti a vários jogos nos estádios, alguns deles sem a participação de Portugal. A questão é que o prestígio e a imagem granjeada com a organização do Euro, não se repetirão com a organização de um Mundial. Porque é organizado conjuntamente com a Espanha. Portugal, na maior parte do Mundo, menos culto que Portugal, ou não se sabe onde fica ou é confundido com Espanha. Se não for bem trabalhada a imagem de Portugal numa organização conjunta com nuestros hermanos, vamos correr o risco de essa confusão aumentar. Depois há a questão do argumento usado pela FPF. Dizem que temos que aproveitar as infra-estruturas que temos, herdadas do Euro 2004. Certo. Seria um bom argumento se essas chegassem. A verdade é que dos dez estádios construídos ou remodelados para o Euro, só três (Luz, Dragão e Alvalade) é que cumprem os requisitos para um Mundial. E apenas um, com um jeitinho da FIFA, tem lotação para um jogo de abertura. A final está fora de questão. Ora, temos um problema. A FIFA já informou que não concordará com um Mundial, que em Portugal só se joga em Lisboa e no Porto e apenas em três estádios. Como resolver o problema? Tem que se ajustar um dos estádios feitos para o Europeu e que na maior parte dos casos, agora estão às moscas, excepto quando joga lá Portugal ou o Benfica, único clube que, goste-se ou não, enche estádios por onde passa. Qualquer que seja a escolha, é óbvio que o acrescento servirá apenas para o Mundial, porque dificilmente conseguirão voltar a encher o tal estádio.
 
Por falar em estádios do Euro. Defendi e continuo a defender que o Euro 2004 foi uma boa aposta. Projectou o nome de Portugal como brilhante organizador de eventos, como país pacífico e que sabe receber. Todo o investimento feito teria retorno. Foi o que sempre achei. O investimento em meios para as forças de segurança e emergência teve retorno imediato. Permitiu equipar as nossas polícias e INEM ao nível do melhor que há no Mundo. O investimento nos estádios deveria ter retorno, se soubessem ajustar os preços dos bilhetes à realidade económica do país, ao nosso poder de compra e se tivessem aproveitado para limpar o futebol português de toda a porcaria que o estraga, de toda a suspeição de que está envolto. Nada disto aconteceu e tudo isto afasta as pessoas dos estádios. E hoje temos vários problemas, sendo os mais evidentes os estádios do Algarve, de Leiria e de Aveiro. Ora, este é mesmo um problema bicudo, levando já a propostas de…demolição! É incrível, absurdo e revoltante. Os milhões que se gastaram e que se continuam a gastar diariamente, sendo apontada como solução a demolição. É inacreditável, mas se calhar, é mesmo a solução, pelo menos para deixar de enterrar dinheiro em mais este “elefante branco”. E é neste cenário que tentamos a organização de um Mundial. Oxalá não sirva para criar ainda mais “elefantes brancos”.
 
Por falar em futebol, e em Portugal, custou mas conseguimos chegar pelo menos ao playoff de acesso ao Mundial. Sempre acreditei que seriamos capazes, ao contrário dos mais cépticos e pessimistas. Só não percebo é uma coisa. Porque é que não naturalizaram o homem há mais tempo? Fez tanta falta. Quem? Não é óbvio? O…Pedro Mendes.
 
Deixando-nos de futebóis e pegando nas uniões de facto, lembrei-me do novo governo. Novo governo que acabou de tomar posse numa daquelas enfadonhas cerimónias protocolares no Palácio da Ajuda. Fiquei com uma curiosidade. Os novos ministros, chegaram à cerimónia sem carro, à boleia nem que seja de um táxi e saíram nos carros de ministros. Ora, se nestes chegaram os ministros cessantes, como é que depois, estes voltaram a casa? De táxi? “Jamais!” E os novos ministros darem boleia aos cessantes está fora de questão. Não está no protocolo. Ia falar aqui da beleza da ministra da Cultura, mas é melhor não.
 
Novo governo, nova legislatura, algumas caras novas e novas prioridades. Uma das primeiras propostas a ir à Assembleia, diz-se que será o casamento entre homossexuais. Uma espécie de união de facto, mas com papel passado. Como se o país não tivesse outras prioridades. No estado actual deste país e da economia mundial, o casamento entre homossexuais só pode ser uma manobra de diversão. Quero lá saber. Só espero é que não me chamem para referendar esta questão, como também se tem falado. Faz-me confusão esta coisa dos referendos. Quando votamos não votamos para que alguém decida? Eu com o meu voto legitimo as decisões de um governo. É assim que penso mesmo que porventura não vote no partido que venha a formar governo. Mas quem vota no partido que forma governo legitima todas as suas decisões. E quando votámos já todos conhecíamos a proposta que sobre este assunto os partidos nos faziam.
 
Os deputados que elegemos, parece que vão ser vacinados contra a Gripe A. Não tenho nada contra, nem a favor. E parece que há muita gente mais esclarecida do que eu que também não tem muito a favor da vacina. Mas, voltemos aos deputados. Houve uns quantos que decidiram não aceitar ser vacinados, por acharem que não são prioritários. Logo outros houve, que vieram dizer o contrário. Lembro-me de ter visto o deputado José Lello alegar na televisão que os deputados são essenciais ao normal funcionamento do país. Gostava que me explicasse porquê. É por isso que são um exemplo de assiduidade. E se bem me recordo, entraram em férias no final de Julho. Antes disso, alguns já tinham andado a baldar-se para participar na campanha eleitoral e depois estiveram de férias, participaram em nova campanha eleitoral e só há uns dias é que voltaram à Assembleia. Sim senhor, são mesmo essenciais. Longe de mim pensar em que sejam obrigados a ficar em casa uma semana completa. O país pararia. E depois, eles são tão próximos dos cidadãos que o risco de eles terem gripe A e a transmitirem ao resto da população é imenso. É mesmo melhor vaciná-los. O país agradece.
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