Portugal juntou-se à Espanha, mas calma, ainda não é uma união de facto. Os portugueses ainda não a autorizaram. Apesar de sondagens que têm sido feitas revelarem que, tanto a maioria dos portugueses, como a maioria dos espanhóis, concordam com tal união de facto. Claro que as sondagens podem ser manipuladas, mas isso é outro tema e tem pano para mangas. Não era a essa união que me estava a referir. Portugal uniu-se à Espanha para organizar um Mundial de Futebol, ou o de 2018, ou o de 2022. Como amante do futebol agrada-me muito a ideia e mais me agrada recordando-me de toda a vida e cor que o Euro 2004 trouxe a Portugal, que vivi muito de perto, pois assisti a vários jogos nos estádios, alguns deles sem a participação de Portugal. A questão é que o prestígio e a imagem granjeada com a organização do Euro, não se repetirão com a organização de um Mundial. Porque é organizado conjuntamente com a Espanha. Portugal, na maior parte do Mundo, menos culto que Portugal, ou não se sabe onde fica ou é confundido com Espanha. Se não for bem trabalhada a imagem de Portugal numa organização conjunta com nuestros hermanos, vamos correr o risco de essa confusão aumentar. Depois há a questão do argumento usado pela FPF. Dizem que temos que aproveitar as infra-estruturas que temos, herdadas do Euro 2004. Certo. Seria um bom argumento se essas chegassem. A verdade é que dos dez estádios construídos ou remodelados para o Euro, só três (Luz, Dragão e Alvalade) é que cumprem os requisitos para um Mundial. E apenas um, com um jeitinho da FIFA, tem lotação para um jogo de abertura. A final está fora de questão. Ora, temos um problema. A FIFA já informou que não concordará com um Mundial, que em Portugal só se joga em Lisboa e no Porto e apenas em três estádios. Como resolver o problema? Tem que se ajustar um dos estádios feitos para o Europeu e que na maior parte dos casos, agora estão às moscas, excepto quando joga lá Portugal ou o Benfica, único clube que, goste-se ou não, enche estádios por onde passa. Qualquer que seja a escolha, é óbvio que o acrescento servirá apenas para o Mundial, porque dificilmente conseguirão voltar a encher o tal estádio.
Por falar em estádios do Euro. Defendi e continuo a defender que o Euro 2004 foi uma boa aposta. Projectou o nome de Portugal como brilhante organizador de eventos, como país pacífico e que sabe receber. Todo o investimento feito teria retorno. Foi o que sempre achei. O investimento em meios para as forças de segurança e emergência teve retorno imediato. Permitiu equipar as nossas polícias e INEM ao nível do melhor que há no Mundo. O investimento nos estádios deveria ter retorno, se soubessem ajustar os preços dos bilhetes à realidade económica do país, ao nosso poder de compra e se tivessem aproveitado para limpar o futebol português de toda a porcaria que o estraga, de toda a suspeição de que está envolto. Nada disto aconteceu e tudo isto afasta as pessoas dos estádios. E hoje temos vários problemas, sendo os mais evidentes os estádios do Algarve, de Leiria e de Aveiro. Ora, este é mesmo um problema bicudo, levando já a propostas de…demolição! É incrível, absurdo e revoltante. Os milhões que se gastaram e que se continuam a gastar diariamente, sendo apontada como solução a demolição. É inacreditável, mas se calhar, é mesmo a solução, pelo menos para deixar de enterrar dinheiro em mais este “elefante branco”. E é neste cenário que tentamos a organização de um Mundial. Oxalá não sirva para criar ainda mais “elefantes brancos”.
Por falar em futebol, e em Portugal, custou mas conseguimos chegar pelo menos ao playoff de acesso ao Mundial. Sempre acreditei que seriamos capazes, ao contrário dos mais cépticos e pessimistas. Só não percebo é uma coisa. Porque é que não naturalizaram o homem há mais tempo? Fez tanta falta. Quem? Não é óbvio? O…Pedro Mendes.
Deixando-nos de futebóis e pegando nas uniões de facto, lembrei-me do novo governo. Novo governo que acabou de tomar posse numa daquelas enfadonhas cerimónias protocolares no Palácio da Ajuda. Fiquei com uma curiosidade. Os novos ministros, chegaram à cerimónia sem carro, à boleia nem que seja de um táxi e saíram nos carros de ministros. Ora, se nestes chegaram os ministros cessantes, como é que depois, estes voltaram a casa? De táxi? “Jamais!” E os novos ministros darem boleia aos cessantes está fora de questão. Não está no protocolo. Ia falar aqui da beleza da ministra da Cultura, mas é melhor não.
Novo governo, nova legislatura, algumas caras novas e novas prioridades. Uma das primeiras propostas a ir à Assembleia, diz-se que será o casamento entre homossexuais. Uma espécie de união de facto, mas com papel passado. Como se o país não tivesse outras prioridades. No estado actual deste país e da economia mundial, o casamento entre homossexuais só pode ser uma manobra de diversão. Quero lá saber. Só espero é que não me chamem para referendar esta questão, como também se tem falado. Faz-me confusão esta coisa dos referendos. Quando votamos não votamos para que alguém decida? Eu com o meu voto legitimo as decisões de um governo. É assim que penso mesmo que porventura não vote no partido que venha a formar governo. Mas quem vota no partido que forma governo legitima todas as suas decisões. E quando votámos já todos conhecíamos a proposta que sobre este assunto os partidos nos faziam.
Os deputados que elegemos, parece que vão ser vacinados contra a Gripe A. Não tenho nada contra, nem a favor. E parece que há muita gente mais esclarecida do que eu que também não tem muito a favor da vacina. Mas, voltemos aos deputados. Houve uns quantos que decidiram não aceitar ser vacinados, por acharem que não são prioritários. Logo outros houve, que vieram dizer o contrário. Lembro-me de ter visto o deputado José Lello alegar na televisão que os deputados são essenciais ao normal funcionamento do país. Gostava que me explicasse porquê. É por isso que são um exemplo de assiduidade. E se bem me recordo, entraram em férias no final de Julho. Antes disso, alguns já tinham andado a baldar-se para participar na campanha eleitoral e depois estiveram de férias, participaram em nova campanha eleitoral e só há uns dias é que voltaram à Assembleia. Sim senhor, são mesmo essenciais. Longe de mim pensar em que sejam obrigados a ficar em casa uma semana completa. O país pararia. E depois, eles são tão próximos dos cidadãos que o risco de eles terem gripe A e a transmitirem ao resto da população é imenso. É mesmo melhor vaciná-los. O país agradece.